O Museu do Açúcar e Doce

O museudoacucar.com.br é um museu virtual que tem a missão e a vocação de atuar,
em contexto nacional e internacional, no amplo e diverso campo
da comida integrada à cultura.

Novas e amplas dimensões para organização de coleções de mídia digital serão aqui interpretadas como conteúdos dinâmicos para a construção do conhecimento seguindo os critérios da museologia.

 

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EXPOSIÇÃO AÇÚCAR: UMA CIVILIZAÇÃO

A cana-de-açúcar é uma gramínea da Nova Guiné que circulou pelo Oriente, e foi domesticada e interpretada em produtos como o melado, a rapadura e o açúcar.

A ampliação do comércio entre o Ocidente e o Oriente faz com que o açúcar, inicialmente uma especiaria que conquista os sistemas alimentares do Mediterrâneo, marque as cozinhas de povos da Europa, do Oriente Médio e do Norte da África. 

Assim, o açúcar integra-se nas rotas das Grandes Navegações de Portugal, numa saga pela busca de novos produtos e descobertas, o que resultou numa verdadeira globalização a partir do século XV.

 

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KASUTERA – A HISTÓRIA DE UM DOCE PORTUGUÊS NO JAPÃO

Castella, Kastera, Kasutera. Bizcocho ou pan di españa. Pão de espanha em Portugal e Espanha; castella ou kastera no Japão. Estas são denominações para o pão-de-ló, que é um tipo de bolo de massa esponjosa. E esta massa é ideal para receber recheios como cremes e geleias.

Mas como esse bolo ibérico tornou-se uma especialidade japonesa?

Nos tratados, no século XVI, entre os portugueses e os japoneses não eram apenas circunscritos às mercadorias, mas também estavam misturados à religião católica, e aos hábitos alimentares destes europeus do Sul, que eram chamados pelos japoneses de namban. E os portugueses trouxeram consigo, além das propostas de comércio, também suas técnicas culinárias, tanto de comidas doces quanto salgadas.

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MANUÊ OU MANAUÊ: EXISTE BOLO MAIS BRASILEIRO?

Os cadernos de receitas de nossas avós continham várias receitas de manuê ou manauê (dependendo da região). Esses bolos coloniais eram de massa densa, na maioria das vezes a base de milho ou mandioca, e geralmente cortados em quadrados para servir.

Cascudo chamava esse tipo de bolo de engodo para enganar a fome. Em algumas regiões eles aparecem também como broas rústicas, assadas na folha da bananeira como o famoso João deitado do Sudeste, ou como bolo de bacia em Paraty.

 

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FARTES OU FARTENS – O DOCE QUE É UMA FARTURA!

Fartes, Farténs ou Fartéis, todos plurais de Fartem, foi o primeiro doce que desembarcou no Brasil, com a esquadra portuguesa de Pedro Álvares Cabral. Esse momento, do dia 24 de abril de 1500, ficou registrado na carta que Pero Vaz de Caminha escreveu ao rei D. Manuel: “Deram-lhes ali de comer: pão e peixe cozido, confeitos, fartens (bolos), mel, figos passados. Não quiseram comer daquilo quási [sic.] nada; e se provaram alguma cousa, logo a lançavam fora.” (Dias, Vol.2, 1920-1924, p.89).

Os fartes são considerados de origem portuguesa, e aparecem nos registros sempre como doces a base de amêndoas e açúcar, e especiarias podendo conter ovos, envoltos por uma massa de manteiga e açúcar, em que às vezes, cita-se a farinha de trigo. Entretanto, podem aparecer também enrolados em uma fina e alva folha de hóstia.

 

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MOSTRA FILHÓS, UM DOCE DE CARNAVAL

O brasileiro se une ao doce, ao açúcar, e aos muitos desejos simbólicos que o sabor doce oferece na afirmação de pertencimento a uma sociedade formada pela cana sacarina.

E para viver o Carnaval, no Nordeste, há um doce que marca este momento especial de festa, refiro-me ao “filhós”.  Seu nome vem do Mediterrâneo, sendo nativo do norte do continente africano na região do Magrebe, onde é chamado de “rghaif”.

O filhós é um doce que está integrado aos cardápios da civilização Al-andaluz, da península Ibérica; e está presente no tempo do carnaval em Portugal, no Brasil e, em especial, Pernambuco. E, pode-se dizer que ele é um doce de carnaval.

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AUDIOVISUAL

Assista o audiovisual SAGUATE, A DÁDIVA DO AÇÚCAR nos retratos de Jorge Sabino no caminho do açúcar em Marrocos, Itália, Espanha, Portugual e Pernambuco, Brasil. Com montagem e finalização por Filipe Oliveira.

SAGUATE – A DÁDIVA DO AÇÚCAR