É profunda a relação da comida com o seu território, lugar de emoção, lugar de interação gastronómica, e muitos outros lugares que poderão ser vividos e que irão acontecer conforme o diálogo da pessoa com a comida que está no prato.
Sem dúvida, o lugar também acrescenta sabor e acrescenta sentimento para comida, e amplia o ritual da comensalidade.
Pode-se dizer que, há um verdadeiro mapa gastronômico que localiza e relaciona cada comida a uma história, a uma cultura, a uma sociedade. E desta maneira, pode-se viver as muitas identificações que estão afirmadas no próprio ato da alimentação que fortalecem a relação da pessoa com a comida.
Porque quando se come uma comida que está profundamente integrada ao seu território, comer uma comida reconhecida por representar esse território, é verdadeiramente comer o lugar, como é o caso do tão celebrado pastel de nata, pois quando como um pastel de nata também como Lisboa.
Busca-se interpretar os ingredientes, as técnicas culinárias, a estética da comida, a estética do doce, quando e como deve ser consumido, que rituais integram o ato de comer, por exemplo, um pastel de nata, segundo a tradição.
Nestes ambientes tão plurais e múltiplos, quero trazer experiências pessoais, verdadeiras experiências ritualizadas vividas na sua intensidade, na cidade de Lisboa, especialmente no bairro de Belém, onde fica a pastelaria mais famosa, dona da receita original do pastel de nata, “Pastéis de Belém” de 1837.
E assim, viver um café acompanhado de pastel de Belém, que deverá receber um banho generoso de canela em pó para o consumo, e então saborear sua massa folhada com seu recheio cremoso.
Estes significativos rituais sociais da alimentação passam por fortes dinâmicas, quando vão se distanciando dos rituais originais do seu consumo, que convive num crescente e feroz assédio turístico, quando Lisboa cada vez mais invadida por um turismo de massa, que vai faz com que a cidade vá se distanciando cada vez mais da sua verdadeira e poética Lisboa.
RAUL LODY
